quinta-feira, 27 de abril de 2017

Ai de ti, Maracanã...

Ai de ti, Maracanã, que deste tuas costas ao clamor de tuas arquibancadas e soterraste tua geral humilde em busca das glórias vãs; céus e terra te negarão o sono, e 200 mil vozes hão de assombrar-te pelas noites.
Ai de tuas poltronas acolchoadas, ai de teus camarotes de luxúria, ai de tua soberba para poucos, porque para muitos te quis e para muitos foste erguido. Porque nem tua cobertura há de te esconder os teus inúmeros pecados quando minha ira se lançar contra ti.
Acaso não te lembraste do silêncio que te dei quando nasceste? Que te fiz carioca, mas te inaugurei paulista, para que soubessem que não és lar de ninguém? Acaso não te conduzi até a final do Mundial, para que fosses profanado pela Celeste estrangeira e calasses tua ambição desmedida? Não te testei timaços e timinhos pela régua das vitórias?

Não te consignei eu aos clássicos, porque eras neutro e palco perfeito, um lugar a ser conquistado no grito e no campo pelas quatro forças que ao teu redor orbitam, e pelos ídolos que desfilaram tantas cores? Pois hoje vejo que te prostituis a consórcios que não te conhecem, e não mais serás informado pela Suderj em teus vindouros telões de LED.
Enorme era teu campo, e encolheu-se; ampla era tua capacidade, e apequenou-se; agrandaste teu estacionamento e será imensa tua final, mas não como sonhavas quando aprenderam a te amar. Ai de ti, Maracanã, pois culparás os cabrais que não te deram dimensão exata nem te fizeram olímpico e pagarás com teu orçamento estraçalhado, teu parque aquático em deserto e tua pista soterrada.
E aqueles que te cantaram hinos aos domingos, ao se sentarem em tuas cadeiras numeradas, não te reconhecerão; e a nova torcida que terás tampouco tu hás de reconhecer. E eu hei de emudecer teu eco catedral à sombra de tua intrepável lona cobertora, para que sejas silencioso e ordeiro como um shopping de aeroporto.
E a própria bola te há de boicotar, e sobre teu tapete sentirás as dores de parto de inúmeras peladas que negarão a honra do teu nome. Pois serás Maracarena, serás Maraca-Não, serás rebatizado e deserdado em tuas tradições: os gentios rasgarão tua rede véu-de-noiva e vendê-la-ão aos pobres.
Ai daqueles que combinarem de se encontrar no Bellini, pois se perderão, com suas camisetas piratas e seus ingressos falsos repassados por cambistas torpes a custo de quatro dígitos, indo parar na Uerj. Nem assim teu banheiro será mais limpo do que foi nos dias de tua glória.
Selarei teu portão 18, e não mais se concederá tua imensa cortesia aos múltiplos conchavos, quando traficavas influência em teus corredores e escadas rolantes. Perpétua será tua dor, cativa será tua vergonha.
Desfraldai vossas bandeiras, uniformizados, porque só assim recordareis o espetáculo que fazíeis: tuas faixas darão lugar aos camarotes da luxúria, e teus cânticos não serão ouvidos no isolamento perfeito dos proseccos, mojitos e DJs, numa publicitária orgia no templo que virou programa.
E tu, Maracanã, com teus ouvidos de concreto lamentarás aqueles palavrões que sentados não bradamos, mesmo com o grito molhado na cevada, e gemerás em cada viga, em cada solda, em cada rejunte, no chapisco de teus muros, nos parafusos dos mais buchas, em cada cu que assentares (78 mil lugares?), na tua escassez de gigantismo a flagelar-te com a memória de quando eras mais nosso porque cabiam mais de nós.
Márvio dos Anjos

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Pelé x Messi: Craque por craque, os do passado eram melhores. E mostro por quê.




Assunto mais do que em evidência, os feitos de Messi vem levantando cada vez mais questionamentos na mídia e nos torcedores: afinal, Messi é melhor do que Pelé? Digo, sem medo de errar que não, Messi não é e não será melhor do que Pelé. É complicado discutir épocas diferentes mas não é tão difícil analisar em que circunstâncias se jogava futebol antes e em que circunstâncias se joga futebol hoje. É inegável e indiscutível que o futebol evoluiu, que os jogadores são mais atletas, que correm mais distâncias, que são mais velozes, mas, será que são mais técnicos? Não me ocorre aqui nem voltar aos remotos anos 30/40, mas pegarei a década de 60 como parâmetro de comparação uma vez que o assunto é Pelé x Messi e aí teremos que começar analisando quais equipamentos Pelé dispunha em sua época (bola, chuteira, camisas, meiões, calções) qual a qualidade do gramado em que jogava, qual a qualidade da preparação física, etc.



Então temos que, não havia nenhuma tecnologia aplicada ao futebol. As bolas eram de couro, não impermeável, ou seja, quando molhadas pesavam mais (já eram mais pesadas secas), as chuteiras eram duras e pesadas, calções, meiões, camisas eram feitas de algodão e que, molhadas, eram pesadas e incômodas e o gramado era irregular, por vezes alto demais, contava com o hoje desaparecido "montinho artilheiro", sem falar que não havia o chamado "Fair Play" e os zagueiros eram verdadeiros brucutus (batiam do joelho pra cima). Há de ser levado em conta algo que não vejo ninguém falar: antigamente o jogador poderia recuar a bola para o goleiro pegar com as mãos! Lembrando que algumas regras do futebol (inclusive essa) foram alteradas exatamente para privilegiar o gol. Em fim, jogar futebol não era tarefa das mais fáceis mesmo!


Quanto aos dias de hoje, na "Era Messi", a tarefa de se jogar futebol é deveras facilitada pela utilização de materiais esportivos cada vez mais tecnológicos, gramados perfeitos tal "mesa de bilhar", preparação física, etc., fazendo com que a possibilidade do erro diminua sobremaneira. E sendo assim, um jogador que já disponha de técnica apurada, como no caso do Messi, aliado a todos os fatores já descritos, é natural que erre menos e se destaque mais, e que inclusive seja mais visto e analisado numa época em que os meios de comunicação estão há anos luz à frente daquele tempo de Pelé. E aí poderíamos também analisar e concluir que hoje em dia não há nenhum "virtuose" jogando nas posições defensivas, não é verdade? As discussões são mesmo amplas. Portanto, afirmo que, colocados os pontos analisados, os craques de ontem sempre serão melhores que os craques de hoje.

domingo, 23 de abril de 2017

Estádio próprio: qual o tamanho do Flamengo?



Assunto cada vez mais em pauta, discute-se se o Flamengo deve ter sua própria casa, se deve participar de licitação para administrar o Maracanã, em fim. Fato é que, de pronto, sou contra o Flamengo entrar em qualquer disputa para administrar o ex-maior do mundo, pelo simples fato de que não passa de um aluguel e morar em casa alugada é bom até o momento em que o proprietário a queira de volta.
O que se pensa na Gávea é um estádio de menor capacidade, cerca de 20 mil pessoas, para jogos de menor apelo e um outro estádio para grandes jogos. E aí que entro na questão: qual seria o tamanho desse estádio para grandes jogos? 45/50 mil pessoas? Bom, não sei quanto a vocês, mas no meu tempo, isso era sinônimo de "casa vazia" em épocas de Maracanã antigo. O Flamengo deveria pensar em construir seu próprio grande estádio e alguém precisa falar para seus dirigentes que pensar em estádio para o Flamengo significa pensar em um estádio para 85 a 90 mil pessoas. Parece grande demais né? Mas pro Flamengo não. E justifico dizendo que tudo (time forte, grandes craques, títulos e ESTÁDIO) serão, juntas, a grande mola propulsora para a cada vez maior adesão ao programa sócio torcedor que já está na casa de 100 mil torcedores. Então por que não pensar o Flamengo do tamanho que ele tem e terá? Não será nada difícil para a administração atual conseguir recursos e parcerias, além de que um estádio dessas proporções levaria o Flamengo a um patamar digno dos grandes clubes do mundo.

* Detalhe: estádio grande, moderno, porém compacto, no melhor estilo caldeirão.

Um exemplo de verdadeiro mundial de clubes.

E por falar em Mundial de Clubes FIFA, a própria entidade já estuda meios de formular um torneio mais interessante no aspecto técnico e fina...